
Eu tinha combinado com Marcelo, meu chefe, para ele ir à minha sala fora do horário de trabalho. Ele dissera que queria conversar, e eu, ingênuo ou talvez apenas desesperado, acreditara que aquilo se tratava de minha demissão.
Todos aqui empresa tinha suspeitas que ele era gay — apesar de ter esposa linda, embora nunca eu tenha dando importância a isso. O que me importava era o salário no fim do mês, o financiamento da casa, a faculdade da filha.
Eu precisava daquele emprego.
Quando ele entrou, carregando uma pasta de couro marrom que claramente não usaria para nada estava vazia, percebi depois — o constrangimento já pesava entre nós como um terceiro elemento na sala, invisível mas palpável, uma massa densa que dificultava a respiração.
Fizemos as cumprimentações de sempre: abraço de amigos de longa data, aquele tapa nas costas que homens dão uns aos outros, mas os olhos não se encontravam.
Desviei o olhar para o monitor, para o relógio na parede, para a fotografia da minha família emoldurada na mesa, para qualquer lugar que não fosse o rosto dele.
Marcelo era um cara bonito, daqueles que envelheciam bem — quarenta e poucos anos, cabelo grisalho nas têmporas que lhe davam ar de autoridade, mandíbula forte, olhos castanhos quase negros.
Ele era reservado, profissional, e eu precisava daquele emprego. Repetia isso para mim mesmo como um mantra.
Eu só comecei a perceber exatamente por que estávamos ali quando ele falou. Sua voz saiu rouca, diferente do tom de comando que usava nas reuniões.
— Você seria capaz de fazer qualquer coisa que eu pedisse?
Fiquei paralisado. Minha garganta secou instantaneamente, e precisei engolir em seco antes de responder. Olhei para ele, finalmente, e vi algo nos olhos de Marcelo que nunca havia notado: fome, pura e simples, disfarçada de autoridade.
— Sim — respondi, e minha própria voz soou estranha, distante. — Claro. Eu preciso deste emprego.
Ali, naquele instante, eu vi que ele queria me comer. Ou talvez que eu o comesse. Ainda não sabia ao certo.
Marcelo conectou o celular à internet da minha sala e abriu um vídeo pornô gay. Cinco rapazes negros, uniformes militares colados aos corpos, músculos definidos sem exagero de academia aquela estética que parecia acessível, corpos como os nossos, poderiam ser nós dois em outra vida.
Pênis de tamanhos variados, nada daquela pornografia exagerada de internet. Homens reais, excitados reais.
— Toca-se — ele pediu, e sua voz saiu mais rouca do que pretendia. — Eu faço o mesmo.
Cada um baixou suas calças. Eu usei a mão esquerda, a direita tremia demais. Começamos nos tocar enquanto assistíamos ao vídeo no celular dele, que ele apoiara no meu monitor.
A gente se olhava como se a única coisa que importasse nas nossas vidas fosse eu tentando manter o meu emprego, ele assistindo aquele filme pornô gay comigo, dois homens casados, dois pais de família, dois traidores de mulheres que nem desconfiavam.
Eu via a mão dele subir e descer no pau dele. Era um pênis grande, grosso, com veias salientes que pulsavam visivelmente. Como ele era canhoto, eu via claramente o anel de ouro da esposa dele no dedo anelar direito, aquele círculo dourado que deveria significar fidelidade, agora sujo de pré-sêmen, refletindo a luz fraca da sala.
Eu já havia batido algumas punhetas vendo filmes gay, mas sozinho, no banheiro de casa, com a porta trancada e o volume no mínimo. Nunca assim, com outro homem. Nunca com meu chefe.
Minha esposa, a esposa dele — elas nem sonhavam que ele tinha marido puto, que eu estava ali, prestes a fazer qualquer coisa por um emprego. Eu não estava me reconhecendo.
Estava fazendo de tudo para manter o emprego, era capaz de até dar para o meu chefe ou comê-lo, a linha entre sobrevivência e desejo dissolvendo-se a cada segundo.
— Olha o terceiro ali — ele disse, apontando para a tela com o queixo. Sua voz saiu mais rouca ainda, quebrada. — Que bunda linda, porra.
Eu ri, um som seco que não chegava a ser diversão. — É — respondi, e minha própria voz soou estranha, distante.
O pênis de Marcelo estava totalmente duro agora, a glande exposta e brilhante, escura, pulsando em sua mão. Ele aproveitou e comentou: — O quarto cara tem pau mais grosso, olha.
Não demorou muito. Gozamos praticamente juntos, assistindo aquele vídeo pornô, nossos gemidos abafados pelo silêncio do escritório vazio, pelas paredes finas que poderiam revelar nosso segredo.
Nosso tesão era muito parecido, sincronizado de alguma forma que não entendia, mas de fato nunca tínhamos avançado além daquilo. Marcelo usava um perfume amadeirado maravilhoso, sândalo e cedro, algo caro e discreto.
A esposa dele certamente era mulher de sorte — ou não, dependendo de como se olhava aquilo.
Nos limpamos com lenços umedecidos que eu tinha na gaveta, daqueles que usava para limpar o teclado. O silêncio entre nós era diferente agora, carregado de algo que não tínhamos palavras para nomear.
— Vou indo — Marcelo disse, já se levantando, a pasta nas mãos tremendo levemente. Eu não sabia se era a primeira vez dele com funcionário da empresa, se eu era apenas mais um em uma longa lista, se aquilo tinha algum significado para ele além do óbvio.
— Você vai transar com tua mulher hoje? — a pergunta escapou antes que eu pudesse filtrar, antes que o cérebro pudesse interceptar a língua.
Ele parou. Não se virou imediatamente, mas seus ombros subiram com a respiração presa, aquela pausa que dizia mais do que qualquer palavra.
Eu completei, a voz saindo mais baixa agora: — Teu pênis ainda está duro.
Marcelo virou-se devagar, como se cada centímetro do movimento exigisse uma decisão consciente. Ele se aproximou, cada passo ecoando no piso vazio do escritório, e automaticamente eu estendi a mão.
Toquei seu pau por cima da calça — duro, quente, pulsando mesmo através do tecido da social escura, a forma dele perfeitamente delineada sob meus dedos.
Ele soltou um suspiro, os olhos fechando por um instante, e eu vi minha própria rendição refletida naquele rosto, a mesma fome, o mesmo medo, o mesmo desejo proibido.
— Fica mais um pouco — ele disse, e não era uma pergunta, mas também não era uma ordem. Era um pedido disfarçado, e eu entendi.
Eu não respondi com palavras. Respondi com gestos, puxando minha calça para baixo junto com a cueca, expondo meu pau que tinha recém gozado mas já pulsava de novo, de alguma forma, contra toda lógica fisiológica.
Ele viu meu pau, olhou para mim, e como se não precisasse pedir permissão — como se aquilo já estivesse decidido entre nós há meses, desde a primeira entrevista de emprego — se abaixou, encostou os lábios na minha glande, e engoliu tudo numa vez só.
Ele sugava como se quisesse acabar com aquela situação que estava rolando conosco desde os primeiros dias que eu vim trabalhar na empresa, aquela tensão não declarada, aqueles olhares demorados nos corredores, aquelas mãos que se tocavam por um segundo a mais do necessário ao entregar documentos.
Ele me chupava melhor que minha mulher, melhor que qualquer mulher que eu tivera, com uma urgência que eu não sabia que precisava.
Enquanto ele me chupava, eu ficava olhando para o quadro da minha família que estava na minha mesa. Minha filha sorrindo no formatura do ensino médio, minha esposa com aquele vestido azul que ela adorava.
Eu olhava para baixo e via meu chefe, aquele que tinha me contratado há menos de dois meses, de joelhos no carpete do escritório, engolindo meu pau até a base, a garganta se contraindo em torno de mim.
— Nunca pensei que poderia acontecer isso contigo — ele disse, a voz abafada, olhos úmidos quando ergueu o rosto por um instante.
— Comigo, assim? — eu perguntei, e minha voz saiu estranha, quase um sussurro.
Ele parou de me chupar e se levantou. Me beijou na boca, um beijo que eu nunca vou esquecer — língua invasora, sabor de meu próprio pré-sêmen, barba por fazer arranhando meu queixo, mãos agarrando meus ombros com força que deixaria marcas. Enquanto me beijava, voltou com uma das mãos no meu pênis, e eu já estava duro novamente, impossivelmente, absurdamente duro.
Ele parou de me beijar, desceu de novo, voltou a me chupar, e parecia destinado a querer que eu gozasse na boca dele, que eu me perdesse completamente, que eu esquecesse minha mulher, minha filha, minha moral, tudo.
Eu forcei a retirada da boca dele do meu pau, levantei-o com certa urgência, e voltei a sentar. Fiquei com o rosto bem próximo à cintura dele, aquele pau que pulsava a centímetros dos meus lábios.
Abri o cinto dele. Desci a calça. A cueca ainda segurava o pênis, mas ele forçava o elástico, apontando para cima, uma barraca impossível de ignorar.
Abaixei a cueca e ele se soltou, colando na barriga de Marcelo de tão ereto, a pele da glande completamente exposta — ele tinha feito cirurgia de fimose, deixava tudo à mostra, aquela cabeça escura e brilhante, úmida, implorando.
Uma gota de esperma já se formava na ponta, translúcida, prestes a escorrer.
— Porra — eu respirei, sem conseguir desviar o olhar. E comecei a chupar ele.
Eu não conseguia engolir o pau dele todo, era muito maior que o meu, grosso de um jeito que esticava minha boca, que fazia meus olhos lacrimejarem. Enquanto eu chupava, ele falou: — Você chupa muito bem.
Eu dei uma risada nervosa, o som abafado pelo pênis dele em minha boca. — Tô super nervoso, cara — eu disse, quando consegui respirar. — Nós não podemos demorar.
Ficamos totalmente sem roupa novamente, roupas espalhadas pelo chão como evidências de um crime. Eu apontei para meu pau, completamente duro, enquanto o dele ainda batia contra o próprio abdômen, pesado, escuro, impossível.
Eu tinha tapete na minha sala, com tecido bem macio, daqueles que a empresa fornecia para dar ar de executivo.
Ele se deitou nele na posição de frango assado — pernas abertas, joelhos dobrados, bunda apoiada no tecido, tudo exposto — e me perguntou: — Você já comeu um homem?
Uma risada nervosa misturada à explicação escapou de mim. — Tô super nervoso, cara — repeti, como se isso respondesse tudo. — É claro que não.
Ele me perguntou se eu já tinha comido algum homem, não chupado — ele sabia que eu já tinha chupado primos na adolescência, aquela coisa que meninos fazem e nunca contam, que enterram sob camadas de heterossexualidade performática.
Marcelo pegou na base do meu pau, aproximou da entrada dele, e eu falei que a gente precisava usar camisinha. Ele concordou, mas primeiro ele chupou mais um pouco, garantindo que meu pau estaria bem duro, já que eu estava nervoso.
Colocou a camisinha com prática de quem transa com frequência com outros homens, rolando o látex com dedos firmes, ajustando, testando.
Ele se posicionou novamente, pegou na base do meu pênis e enviou no cuzinho dele. Eu senti entrar com facilidade, ele conseguia prender bem o ânus dele no meu pau, aquela pressão quente e úmida mesmo através do látex.
Eu tinha que começar devagar porque já estava quase gozando, os músculos dele se contraindo em torno de mim, puxando-me para dentro.
Ele percebendo isso, mandou eu me aproximar da boca dele. Eu disse que era pra meter com força e beijar na boca, e foi o que fiz comecei a socar forte, em alguns momentos enquanto eu socava no rabinho dele, esta engolindo todo meu pau, eu olhei por alguns momentos para o quadro da minha família que estava na minha mesa. Minha filha sorrindo, minha esposa com aquele blusa que ela adorava. Eu olhava para baixo e via meu chefe, aquele que tinha me contratado há menos de dois meses, de rabinho empinado no carpete do escritório, engolindo meu pau por inteiro ele conseguia contrair bem o anus.
Minha família não imaginava que eu estava dando beijo de língua em outro homem, que alias como há muito tempo eu não beijava nem minha esposa, eu estava entregando meu corpo aos prazeres a outro homem.
Eu senti o meu gozo vindo, aquela pressão insuportável na base da coluna, e ele pediu pra eu me afastar, começou a se masturbar junto, rápido, frenético, olhos fixos nos meus.
Nos olhamos e conseguimos gozar praticamente ao mesmo tempo — ele sujou todo o próprio tórax, fios brancos escorrendo pelo abdômen, pelo tapete, e eu gozei deliciosamente, a camisinha enchendo-se, meu corpo inteiro tremendo, contraindo, entregando-se.
Eu estava exausto, com o pênis ainda duro de alguma forma, e beijei a boca dele, só que com ar de apaixonado, com aquela ternura que não tinha lugar ali, que não deveria existir entre chefe e funcionário, entre dois homens casados, entre duas traições.
Nos arrumamos em silêncio, roupas recolhidas, cabelos alisados, perfumes borrifados para disfarçar o cheiro de sexo. Fomos para casa ver nossas famílias, e amanhã, como se nada tivesse acontecido, iríamos trabalhar juntos.