
Eu namorava a Juliana há quatro anos, desde a adolescência, e hoje, com vinte e um anos, tínhamos planos de nos casar e ter filhos.
Vivíamos numa daquelas histórias que pareciam escritas desde sempre — conheci ela aos dezesseis, no colégio, e desde então não havia mais ninguém.
Três vezes por semana, no mínimo, eu a comia com a urgência de quem já sabia que aquela era a sua pessoa. Mas havia algo em mim que ela não conseguia tocar, uma curiosidade que rondava nos cantos escuros da minha cabeça, e eu nunca soube explicar de onde vinha.
Nossa família era tradicional, estruturada. Meu pai trabalhava na mesma empresa há trinta anos, minha mão cuidava da casa como se fosse um templo, e eu tinha um irmão mais velho, o Leo, que aos trinta anos acabara de se separar. Ele deixara tudo para a ex-mulher — a casa, os carros, a guarda dos dois filhos.
Voltara para o lar dos nossos pais com as mãos vazias e um orgulho ferido que tentava esconder atrás de noites em barzinhos. Nunca me convidava. “Quem está solteiro sou eu”, dizia, como se eu não pudesse entender.
Nossa casa era grande o suficiente para absorver o retorno dele sem muito atrito. Leo tinha seu quarto próprio, no corredor do andar de cima, ao lado do meu.
Às vezes, voltava da noite trazendo amigos — a família sempre foi assim, portas abertas, mesa farta, risos altos.
Meu pai recebia seus colegas de trabalho, eu trazia os amigos da faculdade, e agora Leo fazia o mesmo. Nada demais, até que apareceu o Sandro.
Sandro era colega de trabalho do Leo, recém-separado como ele, mas com dois anos a mais. Trabalhava no setor de qualidade da mesma empresa, e tinha um porte que chamava atenção — ombro largo, braços grossos, aquela postura de quem sabia ocupar espaço.
Praticava judô, e às vezes aparecia nos churrascos de família com a camiseta da equipe colada no corpo, o tecido esticado sobre músculos que pareciam esculpidos para procurar encrenca. Ele era comunicativo demais, quase invasivo. Vivia me convidando para treinar com ele na academia onde fazia parte da equipe.
Eu sempre arranjava desculpas — trabalho da faculdade, compromisso com a Juliana, cansaço. Ele ressaltava sempre a mesma coisa, com um sorriso que não chegava aos olhos: “Lá você vai virar homem de verdade.”
Eu tinha minha namorada. Comia ela três vezes por semana. Não precisava virar nada.
Aquela noite, Leo e Sandro chegaram tarde. Eu já estava deitado, mas o som de passos cambaleantes no corredor me tirou do sono. Escutei risadas abafadas, o arrastar de roupas sendo tiradas, e depois um silêncio absoluto que não fazia sentido. Por que diabos tinha ficado em silêncio? Minha porta estava entreaberta, e o quarto de Leo ficava exatamente ao lado.
Fiquei imóvel na escuridão, ouvindo.
Então ouvi — estalos úmidos de beijos. Meu coração deu um salto contra o esterno, uma batida seca e dolorida. Não, pensei. Não pode ser.
Mas meu pau já reagia, endurecendo na cueca sem que eu pedisse, uma traição do próprio corpo. Gemidos baixos começaram a atravessar a parede, e eu me levantei devagar, o ar preso na garganta.
Fui até a divisão entre os quartos, encostei a orelha na superfície fria. Gemidinhos de dor, contidos, como se alguém tentasse engolir o próprio sofrimento. E então a voz do Leo, quebrada, suplicando: “Calma, Sandro. Tá doendo. Vai devagar.”
Minha mente recusava o que os ouvidos registravam. Não podia ser. Mas meu corpo já sabia — meu pau estava duro, pulsando contra a barriga da cueca, e eu tremia de uma excitação que não conseguia nomear. Mais gemidos, mais súplicas. “Ai, Sandro, para, por favor. Me chupa um pouquinho.”
A curiosidade me devorou. Levantei-me, o pau duro balançando contra a coxa a cada passo, e caminhei até o corredor. A porta do Leo estava entreaberta, uma fresta de luz amarelada cortando a escuridão. Aproximei-me sem respirar, encostei o olho na abertura.
Leo estava de mãos apoiadas no colchão da cama, as calças no tornozelo, presas apenas num dos pés. Sandro, ajoelhado atrás dele, tinha o rosto totalmente enterrado no traseiro do meu irmão. Não era um beijo casual — ele parecia tentar enfiar a própria face dentro do ânus de Leo, uma fome animal, uma devoração.
Leo, que sempre carregara aquela postura de homem seguro, de provedor, de macho tradicional, estava sendo desmontado peça por peça na minha frente. A masculinidade dele se desfazia aos poucos, substituída por algo que eu não sabia definir, mas que me fazia querer ver mais.
Sandro se levantou. E então eu vi — o pau dele era imenso, uma coisa que parecia não pertencer a um corpo humano. Vinte e dois centímetros, eu calculei distraidamente, ainda por cima com aquela curva torta para a direita. Entendi de imediato por que Leo gemia de dor. Aquilo não era feito para entrar fácil.
Eu deveria ter ido embora. Deveria ter sentido nojo, raiva, qualquer coisa que fizesse sentido para um irmão vendo outro irmão naquela situação. Em vez disso, fiquei parado, de pau duro, tremendo. Voltei para o quarto antes que perdesse o controle, fechei a porta em silêncio, e enfiei a mão na cueca.
Aquela imagem — Leo sendo chupado, os gemidos de dor dele, a submissão que ele tentava esconder — me trouxe um gozo absurdo, quase imediato. Goziei na palma da mão, quente e denso, ofegante no escuro. Limpei-me com a própria cueca e voltei ao corredor, incapaz de me afastar.
Na minha ausência, algo tinha mudado. Leo parecia ter encontrado um ritmo, uma forma de lidar com o tamanho de Sandro. Estava de joelhos agora, segurando a base daquele pau monstruoso, lambendo da raiz até a ponta com uma hesitação que aos poucos se transformava em aceitação.
Não estava à vontade — era fácil ver isso no jeito que a mandíbula dele travava, nos olhos que evitavam encontrar os de Sandro —, mas continuava. Ajoelhado, submisso, fazendo o que era pedido.
Sandro segurou a cabeça do meu irmão e começou a mover os quadris, forçando o ritmo. Leo tentou resistir, virando o rosto, batendo na coxa de Sandro em súplica. Estava engasgando, ficando sem ar. Eu quase entrei no quarto, quase quebrei aquilo tudo, quando Leo finalmente conseguiu se desvencilhar.
Olhou para Sandro com uma expressão que misturava raiva e algo mais profundo, algo que não tinha nome. Sandro ergueu uma sobrancelha, impassível, e deu um tapa no rosto do meu irmão. Não foi forte — o suficiente para fazer barulho, para marcar a pele, para estabelecer quem mandava ali. Leo não tinha forças.
Voltou a segurar a base do pênis de Sandro, que ainda estava duro, a ponta encostando no próprio umbigo dele, e abriu a boca de novo.
“Chupa e me olha”, murmurou Sandro, uma ordem baixa que eu consegui captar do corredor. “Quero que você sinta o gosto do meu leitinho.”
Leo, totalmente entregue, uma versão dele que eu nunca imaginara existir, respondeu com uma voz que não parecia a dele: “Eu quero seu leite na boca.”
Sandro se levantou, imponente, e Leo permaneceu de joelhos. “Abre bem”, ordenou. Leo segurou cada joelho de Sandro com uma mão, esperando, a boca aberta como se fosse um receptáculo.
O primeiro jato de porra atingiu o rosto dele — Leo tentou se desviar, mas Sandro não deixou, segurando a cabeça dele com firmeza e enfiando o pau de volta na boca. Leo engasgou, as lágrimas misturando-se com o esperma, o rosto contorcido entre o choro e a obrigação de engolir.
Sandro só parou quando terminou, o pau ainda sujo, e sentou-se na ponta da cama com as costas encostadas no colchão, os músculos abdominais em destaque. Observou Leo limpá-lo com a boca, uma tarefa de submissão total, até que não restasse nada.
Voltei para o quarto. Minha mão já estava na cueca de novo, e dessa vez levei mais tempo, prolongando a punheta enquanto revivia cada detalhe — o tapa, a súplica, a entrega. Gozi pela segunda vez naquela madrugada, o corpo inteiro trêmulo, confuso com o próprio desejo.
Na manhã seguinte, acordei com a memória já instalada, vívida demais para ser ignorada. Poucos movimentos da mão e meu pau estava duro de novo, exigente.
Bati mais uma bronha deitado, olhando para o teto, pensando no Leo de joelhos, na curva do pau de Sandro, no tapa que estabelecia domínio.
Quando desci para o café da manhã, meus pais já estavam na cozinha, a televisão ligada num programa de domingo, a mesa posta com o capricho de minha mãe — pães, frutas, café na garrafa térmica.
Trinta minutos depois, Leo e Sandro apareceram. Sorriam, os dois, como se nada tivesse acontecido. Sandro vestia a camiseta de lutador, aquela que realçava os ombros, e cumprimentou meus pais com a voz firme de sempre.
Eu olhava para ele e tentava conciliar — aquele cara marrento, o lutador confiante, era o mesmo que algumas horas antes transformara meu irmão em putinha submissa?
Sandro se movia pela casa com a intimidade de quem já era quase da família. Sem camiseta, agora, exibindo a musculatura das costas e das coxas que eu não conseguia deixar de notar.
Meu pai nunca dizia nada — era assim que funcionava na nossa casa, corpos à vontade, vergonha ausente.
Decidimos fazer churrasco. Leo mencionou que não tinham dinheiro para sair, ele e Sandro, então ficariam em casa. Meus pais concordaram, satisfeitos com a companhia.
Eu sabia o verdadeiro motivo, claro. Sabia que aquela noite seria longa, que o silêncio do corredor voltaria a ser preenchido por gemidos, que Leo voltaria a ser desmontado peça por peça enquanto eu ouvia, de pau duro, tentando entender o que aquilo fazia comigo.
Sandro me olhou do outro lado da mesa, enquanto mordia um pedaço de pão, e por um instante achei que ele soubesse. Que ele tivesse percebido a porta entreaberta, a sombra no corredor, o irmão mais novo excitado com o que não deveria ver.
Mas o momento passou, e ele voltou a conversar com meu pai sobre futebol, e eu fiquei ali, preso entre a normalidade da manhã de domingo e a certeza de que nada seria igual depois daquela noite.
Minha namorada chegou também para o churrasco. Quando ela entrou e viu Sandro sem camiseta, movendo-se pela cozinha com aquele torso musculoso brilhando de suor, eu não vi problema nenhum. Sabia exatamente do que ele gostava, e não eram mulheres.
Ela veio passar o dia comigo, e por alguns momentos consegui esquecer o que tinha acontecido na noite anterior. O sol, a cerveja, a conversa despretensiosa — tudo me distraía da imagem de Leo sendo dominado.
Depois do almoço, levei minha namorada para deitar. O quarto estava escuro, o ar-condicionado ronronando. Transamos gostoso, eu movendo-me sobre ela com o ritmo que conhecia de quatro anos de namoro. Mas quando cheguei perto do gozo, não foi o corpo dela que imaginei. Foi Sandro.
O torso dele, as mãos grandes, a forma como dominava Leo. Goziei pensando nele, naquele homem musculoso me tomando da mesma forma.
Dormimos um pouco. Quando acordamos, ouvimos música vindo da área externa. Meu pai, Sandro e Leo ainda bebiam.
E lá estava ele — Sandro, de sunga curta bem cavada, dançando pagode. O volume daquela sunga era impossível de ignorar. Mesmo mole, o pau dele se acomodava pesado para o lado, a cabeça delineada contra o tecido molhado.
Minha namorada olhou. Tentei não notar, mas percebi o movimento dos olhos dela, a pausa rápida antes de voltar a conversar.
Ela percebeu que eu tinha visto. Tentou disfarçar com um encostar-se em mim. “Acho ridículo homem usando sunga curta”, disse, dando uma leve encostada no meu pau.
“Prefiro as tuas.” Sorri, mas pensei: se ela imaginasse o tamanho daquele pau duro, talvez mudasse de ideia. Talvez visse a sunga como mero detalhe.
Algo naquele corpo dançando acendeu fogo nela. Minutos depois, ela me puxava pelo braço. “Vamos lá pro quarto”, sussurrou, a respiração já diferente.
Transamos de novo, ela de olhos fechados, imaginando — eu sabia — aquele corpo musculoso dançando. E eu, por trás dela, imaginava Sandro me enrabando naquele mesmo quarto, suas mãos grandes na minha cintura, seu peso me esmagando contra o colchão.
Levantamos suados. Foi quando o celular dela tocou — plantão no hospital, precisavam de enfermeira para tampar furo.
Ela tomou banho rápido aqui em casa, se despediu de todos com aquele sorriso profissional, e foi embora.
Fiquei eu, Sandro, Leo e meu pai.
As horas passaram. Meu pai foi dormir com minha mãe, que chegara mais cedo. Eu, Leo e Sandro ficamos conversando na sala, a TV ligada em algum programa esportivo que nenhum de nós realmente assistia. Sandro estava de bermuda curta, as pernas musculosas esticadas, o peito ainda brilhando de um resíduo de protetor solar. Eu tentava não olhar para a protuberância no centro da bermuda, mas meus olhos traíam minha vontade.
Dei boa noite e fui para o quarto. Obviamente, antes de deitar, bati uma — a terceira daquele dia. Porque eu sabia: aquela noite prometia.
Deitei no escuro, ouvindo os passos pela casa. A porta do quarto de Leo abrindo. Vozes abafadas. Esperei, o coração batendo no ouvido, o pau já reagindo de antecipação.
Então começou.
“Ai, Sandro… ai, tá doendo…”
Levantei em silêncio. A porta do quarto de Leo estava entreaberta — ele nunca fechava direito. Encostei o olho na fresta e vi: Sandro empalando meu irmão, as duas mãos grandes segurando aquela cintura magra, puxando-o para trás com força. Leo gemia abafado, a boca pressionada contra o travesseiro, tentando não fazer barulho. Sandro não largava. Nem que Leo desse um berro e acordasse a casa toda — ele continuava, metendo com aquela cadência de quem sabe que pode.
A bunda de Leo estava vermelha, marcada pelas mãos dele. Contraste total com as nádegas de Sandro — aquela marca de sol branca, a pele fibrada de musculatura de lutador. Cada puxada na cintura fazia Leo gemer daquele jeito manhoso, submisso, derrotado. Ele parecia uma boneca que o dono movia conforme a brincadeira, totalmente dominado.
Mesmo com o ar-condicionado no corredor, senti o calor daquele quarto. O som — ploc, ploc, ploc — misturado aos gemidos abafados de Leo. Voltei para meu quarto em silêncio, o pau pulsando duro, a mente em chamas.
Deitei, fechei os olhos, e voltei a me masturbar com fúria. Mas agora não era só em ter visto — era em querer estar no lugar dele. Queria sentir aquelas mãos na minha cintura, aquele peso me pressionando, aquela dor que Leo sentia sendo transformada em prazer. Gozei pela quarta vez naquela noite. Quatro vezes — algo que nem com minha namorada eu conseguia.
Eu, que nunca tinha olhado para um homem com desejo. Mentira. Agora eu olhava. Quando Sandro passava pela sala de bermuda curta, eu seguia o caminho das gotas de suor na nuca dele. Quando ele se sentava, eu notava a protuberância entre as pernas. Quando ele sorria, eu via os dentes que mordiam Leo.
A noite continuou. Levantei de novo, a curidade — ou a necessidade — me puxando. Na fresta, vi Sandro mandando Leo chupar sem cerimônia. E Leo — o safado — engoliu. Tentava engolir tudo aquele pau sem pensar duas vezes, a boca quente e úmida, a língua trabalhando na base enquanto ele sugava com uma fome que eu nunca tinha visto em ninguém.
Meu irmão mamava melhor que qualquer mulher que eu tinha pegado. Mais entregue, mais faminto. Sandro empurrava a cabeça dele, forçando-o a engolir até as bolas, e Leo nem reclamava mais. Engolia, engasgava, voltava para mais. A boca dele ficou vermelha, brilhante, o pescoço marcado onde Sandro apertava.
Depois, Sandro puxou Leo pelos cabelos, jogou ele de quatro na cama. Começou a lambuzar aquele cuzinho com cuspe, vendo a abertura se contrair e piscar de tesão. Leo gemia baixinho, enterrando o rosto no travesseiro. O pau de Sandro estava duro feito rocha, a cabeça escorrendo pré-gozo, e ele posicionou na entrada, sentindo o calor escaldante.
Seria a primeira vez que Leo dava cuzinho. A primeira vez que alguém foderia meu irmão de verdade. E no exato momento em que Sandro ia empurrar, sentindo a resistência ceder, ouvimos a porta da frente se abrir e a voz do meu pai ecoando pelo corredor: “Esqueci o celular!”
Congelei. No quarto de Leo, o silêncio foi instantâneo. Sandro não se moveu, ainda posicionado, o pau pressionando a entrada. Leo não respirou. Esperei, o coração parado, até ouvir meu pai pegando o celular na mesa da sala e saindo de novo. A porta da frente bateu.
Sandro riu baixinho. Uma risada de quem não se abala. E empurrou.
O gemido de Leo foi alto demais — ele teve que morder o travesseiro para abafar. E eu, no meu quarto, gozei pela quinta vez naquela noite, sem nem tocar em mim mesmo, apenas de ver Sandro finalmente tomando o que era dele.
Amanhã eu encontraria uma forma de ser o próximo.