A mudança para esta cidade pequena já era estranha. Mãe e pai decidiram que nós três — eu, Clarinha e eles — precisávamos voltar para o interior. Disseram que era por causa do trabalho, que a cidade grande estava ficando difícil, que aqui teríamos mais paz. A casa que alugaram fica na beira da estrada, quase no meio do nada. O vizinho mais próximo é um sítio que parece abandonado. Quando cheguei, olhei para aquelas paredes vazias e pensei: como vamos ficar aqui sozinhas o dia inteiro?
Pai teve a brilhante ideia de chamar Emerson nosso primo. Ele disse que Emerson era homem, era da família, e poderia cuidar de nós duas enquanto eles trabalhavam. Na cabeça do papai, isso era segurança. Na minha, era um cara de vinte e um anos com corpo de quem faz crossfit todo dia sendo responsável por duas mulheres sozinhas numa casa afastada. Mas eu não disse nada. Quem eu era pra questionar?
Hoje foi o primeiro dia que Emerson nos levou pra escola. Ele apareceu de manhã com aquele sorriso fácil, o cabelo castanho bagunçado de sempre, a jaqueta de couro preta que parece que foi feita pra ele. Clarinha correu pra ele antes de mim. Ela sempre faz isso. É mais leve, mais aberta. Eu fico observando. O dia foi normal até o final da aula. Eu estava na sala do segundo andar quando vi Emerson no portão.
Ele tinha chegado pra nos buscar. Fiquei olhando ele lá embaixo, os braços cruzados, olhando o celular. E então vi Clarinha se aproximando. Ela desceu as escadas com aquela caminhada dela — os passos curtos, a bunda balançando dentro da saia jeans. A bunda da Clarinha é… é grande. Puxou da mamãe, todo mundo sabe. Os homens olham. Eu sempre percebo quando olham. E Emerson não foi diferente.
Eu vi quando ele chamou ela. “Clarinha, vem aqui.” Ela foi. Ele olhou pra os lados, pra o portão, pra rua, como quem verifica se ninguém está olhando. Então se encostou no muro de tijolos e abriu a jaqueta. “Tá muito frio, senta aqui, vai ficar mais quentinho.”
Eu não consegui acreditar quando ela obedeceu. Clarinha sentou entre as pernas dele, as costas encostadas no peito do primo. Ele fechou o casaco sobre ela, envolvendo ela como um casulo. Os dois ficaram ali, escondidos dentro da jaqueta, e eu… eu não conseguia parar de olhar. Poucos instantes depois, eu vi o movimento. Emerson tirou os dois braços das mangas da jaqueta. As mangas ficaram vazias, pendendo dos lados. Os braços dele estavam dentro do casaco agora. Com ela. Dentro daquele espaço fechado onde só existiam os dois.
Clarinha virou o rostinho e riu. A mão perto da boca, como se ele tivesse feito cócegas. Emerson sussurrou algo. Os lábios encostando na orelha dela. Eu não consegui entender o que ele disse. Ela virou o rosto pra frente novamente, mas eu percebi. De tempos em tempos, o casaco se movia. A mão dele visível por baixo do tecido, sumindo e aparecendo. E Clarinha se ajeitava. O quadril rodando num movimento quase imperceptível.
Pequeno. Mas eu vi. Eu sei o que os peitinhos durinhos da Clarinha fazem com os homens. Ela tem o corpo de uma mulher feita. Os olhos castanhos, o cabelo ondulado, a cintura fina e a bunda grande. E Emerson… Emerson era um homem. Primo ou não, ele era um homem olhando pra um corpo de mulher.
Alguns alunos começaram a sair. A sala ficava mais vazia e eu ainda estava lá, observando. Emerson percebeu. Abriu o casaco. Mandou Clarinha levantar. E quando ela se ergueu… eu vi. A calça dela ficou marcada. Marcada na frente. O tecido moldando o volume entre as pernas da minha irmãzinha. Ela precisou se ajeitar com as mãos, puxando o tecido, tentando voltar ao normal. A bundinha redonda balançou quando ela deu o primeiro passo.
Emerson também se levantou devagar. A mão passando disfarçadamente sobre a própria virilha. Ele tentava esconder, mas o volume nas calças dele era inconfundível. A rola marcando o tecido grosso da calça jeans que ele usava. Meus olhos foram direito — do volume do pênis dele pra calça marcada dela. Aquilo era prova. Mais prova do que eu precisava pra saber que alguma coisa tinha acontecido dentro daquela jaqueta.
O sinal tocou. Eu desci até o portão e fiz que não vi nada. Durante o caminho pra casa, Emerson ficava conversando com Clarinha. Muito toque. Qualquer fala, ele tinha sempre estar tocando no braço, no ombro, e alguns na barriga. E ela ria muito. Aquele riso leve, ingênuo, de quem não percebe o que está acontecendo. Ou de quem percebe e não se importa. Eu não sei qual é worse.
Quando chegamos em casa, Emerson disse que iria esquentar a comida pra nós comer. Disse que ia mostrar onde era o banheiro. E então falou pra eu ficar já almoçando, que ele e Clarinha iriam comer depois. Chamou ela. “Clarinha, não quer tomar banho antes?”
Estranhamente, eu percebi que nosso primo foi junto com ela. Eu disfarcei. Fiquei na mesa da cozinha, olhando o prato de comida que não tinha apetite pra comer. Mas meus pensamentos não paravam. A imagem da jaqueta fechada. Os braços dentro. O quadril dela se movendo. O volume nas calças dele. A marca nas calças dela.
Eu me levantei. Devagar. Sem barulho. E fui atrás deles. O corredor da casa era escuro. O banheiro ficava no final, a porta de madeira velha que não fechava direito. Eles tinham entrado juntos. Os dois. Dentro do banheiro. A porta fechou.
Eu me aproximei. Devagar. O coração batendo forte na garganta. Encostei a orelha na porta. E escutei.