
Eu estava exausto quando minha esposa entrou no quarto naquela noite. Ela ainda usava o blazer do trabalho, as solas dos sapatos arranhando levemente o piso de madeira enquanto se aproximava da cama.
Eu já estava deitado, as costas contra o cabeceiro, os olhos pesados de um dia que não terminava.
— Você parece morto — ela disse, largando a bolsa na cadeira. O som do zíper ecoou no silêncio.
Eu respirei fundo, sentindo o ar pesado entrar nos pulmões. — É a tua filha. De novo.
Ela ergueu uma sobrancelha, os dedos já trabalhando nos botões da blusa. — O que ela fez agora?
— Invadiu o banheiro de manhã. Antes mesmo de eu sair do chuveiro. — Eu pausava entre as palavras, ainda sentindo a umidade da boca dela na minha memória.
— Ajoelhou no azulejo frio e engoliu tudo antes que eu pudesse sequer enrolar a toalha.
Minha esposa riu. Não uma risada contida, mas algo que veio do estômago, abrindo a boca enquanto a blusa caía no chão. — Ela tem fome. 21 anos, testosterona a mil. Você se lembra dessa idade?
— Eu não tinha uma enteada me espreitando na porta do casal toda noite. — Eu me sentei, as mãos apoiadas nos joelhos. — Ela bateu duas vezes essa semana.
Duas. Enquanto tu dormias no quarto ao lado. Entrou de calcinha, se ajoelhou, e não saiu até eu jorrar na garganta dela.
A mulher se aproximou, os dedos deslizando pelo meu pescoço. Seu toque era quente, familiar, nada como a urgência desenfreada da filha. — E tu gozou?
— Claro que gozei. — A voz saiu mais rouca do que pretendia. — Mas não é isso. É… — eu buscava as palavras, as pálpebras pesadas — …é que ela não para.
Não importa se eu trabalhei doze horas, se estou com dor nas costas, se simplesmente quero dormir. Ela aparece. Abre a porta. E eu tenho que enfiar o pau na boca dela até ela engolir tudo.
Minha esposa se sentou na beirada da cama, o peso dela inclinando o colchão. Seu sorriso tinha algo de cruel, algo que eu já conhecia. — Lembra quando começou? — ela perguntou, as unhas desenhando círculos na minha coxa por cima do lençol.
— Ela com dezoito, te olhando no sofá. Tu disse que era inocente. Que não significava nada.
Eu não respondi. O silêncio era resposta suficiente.
— Agora aguenta — ela completou, a voz baixa, quase um sopro. — Você que pediu por isso. Todo dia, toda noite, todo olhar que tu dava quando achava que eu não via.
A porta do quarto se abriu antes que eu pudesse retrucar. Não bateram. Nunca batiam. Ela entrava como se o espaço fosse dela, como se nós dois estivéssemos ali por tolerância dela.
— Oi, mãe — a voz da enteada cortou o ar. Ela usava apenas uma camiseta velha, o tecido fino marcando os seios pequenos, as coxas nuas brilhando sob a luz fraca do abajur. — Oi, padrasto.
Minha esposa não se moveu. Continuou sentada na beirada da cama, as costas eretas, como se a filha estivesse apenas trazendo café da manhã. — Já é tarde, filha.
— Eu sei. — A garota se aproximou, os passos silenciosos no carpete. Seus olhos estavam fixos em mim, na protuberância que eu não conseguia esconder sob o lençol.
— Só vim dar uma olhada. Ver se vocês precisam de alguma coisa.
Eu senti o sangue pulsar nas têmporas. Ela não piscava. Sua língua passou rápida pelos lábios, um movimento automático, quase involuntário.
— Estamos bem — eu disse, mas a voz saiu falha, trêmula.
— Estão? — ela inclinou a cabeça, o cabelo loiro caindo sobre o ombro. — Porque parece que vocês estavam prestes a começar. Eu posso esperar. Ou posso ajudar.
Minha esposa riu de novo. O mesmo som de antes, agora carregado de outra coisa. — Fica, então. Mas não atrapalha.
A enteada não precisou de mais convite. Ela se sentou na poltrona próxima à cama, as pernas cruzadas, os dedos brincando com a barra da camiseta.
Eu a vi puxar o tecido para cima, lentamente, expondo a calcinha rosa antes de parar. Seus olhos não saíam dos meus.
— Continua — ela disse, a voz mais grossa que a da mãe, mais jovem, mais faminta. — Eu quero ver.
Minha esposa se virou para mim. Seu blazer já estava no chão, a saia subindo enquanto ela se posicionava sobre as minhas pernas.
— Tu ouviu a menina — ela sussurrou, a boca contra minha orelha. — Continua.
Eu senti as mãos dela no meu pau, já duro, já pulsando. Ela guiou para dentro dela, o calor familiar me envolvendo enquanto eu tentava não olhar para a poltrona. Mas olhei. Claro que olhei.
A enteada tinha se aberto. Uma perna sobre o braço da poltrona, a calcinha rosa puxada para o lado. Seus dedos circulavam lentamente, os olhos fixos no ponto onde eu desaparecia dentro da mãe.
Ela não piscava. Não respirava. Apenas observava, com a boca entreaberta, a língua úmida brilhando na luz.
Eu senti a pressão subir rápido, demasiado rápido. Minha esposa movia os quadris em círculos, o ritmo que conhecia, o ritmo que funcionava. Mas eu não conseguia me concentrar.
Cada vez que fechava os olhos, via a boca da enteada. Cada vez que abria, ela estava lá, se masturbando em silêncio, os dedos entrando e saindo com sons úmidos que competiam com o da nossa foda.
— Goza — minha esposa ordenou, as unhas cravando nos meus ombros. — Goza dentro de mim.
Mas eu já estava me levantando. Já estava puxando para fora, sentindo o ar frio bater no pau molhado. Minha esposa protestou, uma queixa rouca, mas eu não a ouvi.
Eu estava de pé, três passos até a poltrona, os dedos já fechados nos cabelos loiros da enteada.
Ela não se surpreendeu. Abriu a boca antes mesmo de eu chegar, a língua estendida, os olhos fechados em êxtase.
Eu jorrei na primeira batida, o primeiro jato atingindo a língua, o segundo o queixo, o terceiro escorrendo pelo pescoço enquanto eu segurava sua cabeça com força.
Ela engolia antes de eu terminar, a garganta trabalhando, os olhos abrindo para me ver, para me ver gozar, para me ver desmoronar.
Quando voltei para a cama, ofegante, as pernas bambas, minha esposa já estava deitada de lado, o rosto voltado para a parede. O silêncio era denso, carregado.
A enteada se levantou da poltrona, a camiseta puxada para limpar o rosto. Ela sorriu, aquele sorriso que eu já temia, e beijou minha bochecha antes de sair.
— Boa noite, padrasto. — A porta se fechou sem som.
Eu deitei ao lado da minha esposa, sentindo o calor dela se afastar centímetro a centímetro. Ela não disse nada. Não precisava.
Eu sabia que amanhã ela trabalharia de novo, e eu ficaria sozinho na casa com a filha dela, com a fome dela, com a boca dela.
Eu fechei os olhos, sentindo o cansaço vencer. Mas antes de dormir, ouvi o chuveiro ligar no banheiro do corredor.
O som da água. O som de algo caindo no chão. O som de passos se aproximando de novo.
A porta do quarto rangeu.
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