
O calor da tarde de verão colava a camiseta de Cleber às costas enquanto ele dirigia o carro velho da família pela estrada de terra que levava à casa de sua tia. Ao seu lado, Beatriz ajustava o ar condicionado que não funcionava há anos, seus dedos finos e bem cuidados movendo-se pelo painel com uma elegância que contradizia a simplicidade do veículo.
— Essa estrada está pior do que eu lembrava — comentou Cleber, as mãos firmes no volante, músculos dos braços tensionados pela concentração.
— Desde que o prefeito mudou, ninguém mais cuida da zona rural — respondeu Beatriz, seus cabelos castanhos claros balançando suavemente com as irregularidades do trajeto. Ela virou-se ligeiramente na direção do sobrinho, o roupão de banho que ainda usava — trocado rapidamente antes de saírem — abrindo-se discretamente na altura das coxas. — Fico feliz que você tenha aceitado o convite. A casa fica muito… silenciosa.
Cleber sentiu o olhar da tia sobre ele, uma pressão quase tangível que o fez apertar o volante com mais força. Ele não respondeu imediatamente, mantendo os olhos na estrada que se estendia vazia à frente, bordada por eucaliptos que murmuravam com a brisa quente.
— Você falou que está se sentindo sozinha — disse ele finalmente, a voz rouca, quase mais grave do que pretendia. — Acho que o tio Marcelo não gostaria de ver você assim.
O nome do falecido marido pairou entre eles como fumaça. Beatriz desviou o rosto para a janela, o perfil delicado iluminado pelo sol que começava a se pôr, tingindo tudo de laranja e rosa.
— Marcelo entendia a solidão de forma diferente — disse ela, a voz baixa, quase para si mesma. — Ele sempre foi bom em estar comigo sem precisar preencher cada silêncio. — Uma pausa. Os dedos de Beatriz encontraram o tecido do roupão, massageando-o distraidamente. — Eu não aprendi essa lição a tempo.
A casa de Beatriz surgiu no final da curva, uma construção de tijolos aparentes com varanda frontal e janelas amplas que capturavam os últimos raios de sol. Cleber estacionou ao lado da entrada, o motor falhando algumas vezes antes de se render ao silêncio.
— Aqui estamos — disse ele, a voz retomando um tom mais leve, quase jovial. — Ainda lembro quando vinha aqui de férias, eu devia ter uns doze anos.
— Você dormia na rede da varanda, dizia que o quarto de hóspedes parecia “muito formal” — lembrou Beatriz, um quase-sorrio brincando nos lábios. — Minha mãe ficava horrorizada com a ideia de você pegando frio.
Eles saíram do carro, o calor noturno já começando a substituir o ar abafado do dia. Beatriz caminhou à frente, as chaves na mão, o roupão balançando com os movimentos dos quadris. Cleber seguiu com a mochila de viagem pendurada no ombro, os olhos inevitavelmente atraídos para a silhueta da tia contra a luz da varanda.
— A casa está mais ou menos arrumada — disse Beatriz, destrancando a porta. — Eu não recebo visitas com tanta frequência quanto gostaria.
O interior revelou-se em tons quentes, madeira e tecidos que absorviam o som dos passos. Uma escada levava ao andar superior, onde ficavam os quartos. Beatriz deixou as chaves em uma mesa próxima à entrada e virou-se para o sobrinho, as mãos cruzadas à frente do corpo num gesto quase formal.
— Sobre o quarto — começou ela, a voz mantendo uma cadência educada, quase acadêmica. — Como mencionei no carro, a casa tem ficado silenciosa. Muito silenciosa. — Uma pausa. Os olhos castanhos de Beatriz encontraram os de Cleber com uma intensidade que parecia medir cada reação. — Eu gostaria que você dormisse no meu quarto. Na minha cama.
O silêncio que se seguiu preencheu o espaço entre eles como algo palpável. Cleber sentiu o peso da mochila no ombro, a madeira do assoalho sob os pés, o batimento acelerado no peito. Ele abriu a boca para responder, mas as palavras pareciam presas, dissolvidas no ar quente da casa.
— Eu… — começou, a voz rouca. Engoliu em seco. — Não vejo problema nisso, tia.
Beatriz assentiu, um movimento quase imperceptível da cabeça. Algo brilhou em seus olhos — aprovação, talvez, ou algo mais difícil de nomear. Ela se virou e começou a subir a escada, o roupão revelando as costas nuas na abertura do tecido.
— Deixe suas coisas no armário do quarto — disse ela por cima do ombro. — Eu vou preparar algo para o jantar enquanto você se organiza.
Cleber permaneceu imóvel por um momento, ouvindo os passos da tia desaparecerem no andar superior. Então, finalmente, moveu-se, subindo a escada com uma lentidão que parecia contradizer o tumulto em seu peito.
O quarto de Beatriz revelou-se em tons de azul e branco, uma cama de casal dominando o espaço com seus travesseiros volumosos e colcha de linho. Uma janela aberta deixava entrar a brisa noturna, movendo levemente as cortinas. Cleber depositou a mochila no chão ao lado do armário e ficou parado, contemplando a cama onde dormiria, a cama onde sua tia dormia.
O som de água correndo veio de algum lugar da casa — a cozinha, talvez, ou o banheiro. Cleber abriu a mochila e começou a tirar suas roupas, método mecânico que não conseguia distraí-lo dos pensamentos que insistiam em emergir.
Quando terminou de organizar suas coisas no armário — onde notou, com um nó na garganta, que sua tia havia colocado suas cuecas junto com suas próprias calcinhas e sutiãs — ouviu passos no corredor. Cleber se virou para a porta no exato momento em que Beatriz aparecia, ainda no roupão, mas com uma toalha sobre o ombro.
— Ah, você já terminou — disse ela, os olhos percorrendo o quarto com uma avaliação rápida. — Vou tomar um banho rápido. Quando terminar, você pode ir. — Uma pausa. A mão de Beatriz encontrou a abertura do roupão, dedos pousando no tecido. — A não ser que você prefira ir agora. Já que estamos dividindo o espaço, acho justo que nos… acostumemos um com o outro.
Cleber sentiu a boca seca, as palavras dispersas antes mesmo de serem pronunciadas. Ele balançou a cabeça, um movimento vago que poderia significar qualquer coisa.
— Tudo bem — conseguiu dizer, a voz rouca. — Eu… espero.
Beatriz assentiu, algo indefinível brincando em seus lábios. Ela soltou o roupão, deixando que o tecido caísse em uma dobra no chão. Sob ele, usava apenas calcinha e sutiã em renda preta, o contraste marcante contra sua pele clara e luminosa. Os seios volumosos eram sustentados pelo sutiã, as coxas grossas escapando da calcinha em curvas generosas.
Cleber sentiu o ar deixar os pulmões, o sangue apressando-se em direção à virilha. Seu pau reagiu instantaneamente, endurecendo contra a calça jeans de forma dolorosa e evidente. Ele tentou desviar o olhar, mas os olhos traíram a intenção, percorrendo o corpo da tia com uma fome que não conseguia disfarçar.
— Se acalma, rapaz — disse Beatriz, a voz mantendo um tom quase maternal, embora seus olhos brilhassem com algo bem diferente de preocupação materna. — Você já tem vinte e um anos. E eu sou sua tia, não uma estranha. — Ela deu um passo em direção à cama, as coxas roçando uma na outra com o movimento. — Vamos nos acostumar com isso. A semana é longa.
Sem esperar resposta, ela pegou uma toalha na cadeira próxima à cama e envolveu-a nos ombros, embora isso fosse quase redundante dado o calor da noite. Então, com um último olhar para o sobrinho — um olhar que avaliou, provocou, e prometeu — ela se dirigiu ao banheiro anexo ao quarto.
A porta não foi completamente fechada.
O som da água começou quase imediatamente, primeiro fraco, depois crescendo em intensidade. Cleber permaneceu imóvel no centro do quarto, o coração batendo tão forte que parecia ecoar nas paredes. Ele deveria se mover, deveria fazer algo — verificar suas coisas, preparar-se para o banho, qualquer coisa que não fosse ficar parado como um idiota com o pau duro na calça.
Mas seus pés não obedeciam. E seus olhos, traidores, encontraram a fresta da porta do banheiro.
A água caía sobre Beatriz em jatos quentes, escorrendo pelos cabelos castanhos claros, aderindo à pele luminosa. Ela havia removido o sutiã — ele estava pendurado em um gancho próximo à porta — e os seios volumosos balançavam levemente com os movimentos dela sob o chuveiro. A calcinha preta, ainda no lugar, escurecia-se com a água, moldando-se aos contornos da buceta de forma obscena.
Era exatamente como Cleber imaginava em seus momentos mais secretos, na escuridão de seu próprio quarto, mão no pau, ofegante. A buceta gordinha da tia, pouco coberta por pelos escuros ralos, a carne rosada se delineando através do tecido molhado. A água escorria pelo sulco entre as coxas grossas, caindo em gotas que se perdiam no ralo.
Beatriz virou-se de costas para a porta, como se soubesse exatamente onde estavam os olhos do sobrinho. As nádegas fartas se moveram com a ação de esfregar as costas, a calcinha embutida no meio em uma linha escura e tentadora. Ela inclinou a cabeça para trás, deixando que a água atingisse o rosto, os seios projetados para frente em uma postura de oferenda.
Cleber não se lembrava de ter começado a se tocar. Sua mão estava na virilha, apertando o pau duro através da calça jeans em movimentos desesperados e furtivos. Ele deveria parar, deveria se afastar da porta, deveria —
— Já está pronto, Clebinho?
A voz de Beatriz cortou o ar molhado do banheiro, clara e despreocupada, como se não estivesse nua a metros de distância, como se não soubesse exatamente o que seu sobrinho estava fazendo.
Cleber retirou a mão da calça com um movimento brusco, sentindo o rosto queimar.
— S-sim, tia. Quer dizer, estou esperando você terminar.
A risada que veio do banheiro foi baixa, quase uma carícia sonora.
— Quase terminando. Por que você não vai pegando suas coisas? Sua cueca está junto com as minhas na gaveta do armário. Acho que você viu quando arrumei suas coisas, não viu?
Cleber engoliu seco. Ele tinha visto. Vira cada peça de renda, cada sutiã, cada calcinha delicada que sua tia usava, todas elas agora em contato íntimo com suas próprias cuecas no armário fechado.
— Vi — conseguiu dizer, a voz mais rouca do que pretendia.
— Ótimo. Então vamos nos organizar. A semana está só começando.
A água do chuveiro parou. Cleber ouviu o som de toalha sendo pega, de corpo sendo enxugado em movimentos metódicos. Ele deveria se mover, deveria fazer qualquer coisa que não fosse ficar parado esperando que a porta se abrisse.
Mas seus pés permaneceram firmes no chão, o coração batendo em um ritmo que parecia contar os segundos até o que viria em seguida.
A porta do banheiro se abriu.
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